sábado, janeiro 17, 2009

As coisas andam de mal à pior. Tenho ficado horas trancada dentro do banheiro, sentada no chão encarando aquela maleta cheia da maior variedade de remédios que existe. Ontem eu passei os dedos pela maleta e escolhi cuidadosamente 8 comprimidos de um remédio antigo para dormir. O efeito não foi o que eu pensei que iria ser, mas me garantiu 18 horas de sono. Quando acordei eu só conseguia lembrar de um sonho que eu tive, ou melhor, de um pesadelo. Eu estava deitada em posição fetal no meio da rua, e muitas pessoas de rostos conhecidos vinham até mim e me chutavam, me cuspiam palavras e colocavam fogo em mim. Eu consegui sentir o minha pele queimando. Fiquei com falta de ar e tive que me deitar, e em menos de 3 minutos eu já estava soluçando incrivelmente alto, e então dei graças a Deus de estar sozinha em casa. A primeira coisa que eu exerguei foi o Lua Nova jogado na minha poltrona, e automaticamente eu lembrei da dor que a Bella sentia. Eu estava sentindo a mesma coisa. Roubei a idéia dela e abracei forte o meu próprio corpo, sentindo que ele iria se quebrar a qualquer momento. Depois de quase 1 hora nesse sufoco, levantei e fui tomar banho. Não me aguentei em pé e tive que me sentar no box. Nunca me senti tão fraca, tão pálida, tão... Sem vida. O banho me serviu como reflexão sobre a minha vida.
Eu não aguento mais não ter com quem falar dos meus problemas, e sentir que qualquer coisa faz com que uma enorme bola fique presa em minha garganta e uma ardência repugnante comece em meu nariz. Eu nunca desejei a minha vida assim, nunca. Todos só sabem cobrar, cobrar, cobrar. Cansei de amigos que se escalam em mim para poderem sair, cansei de mentiras, cansei de amizades falsas. Queimei as fotos, as cartas, as lembranças. Cansei de ter medo de fazer e falar as coisas para não magoar as pessoas, afinal, elas nunca se preocuparam quando as coisas e/ou palavras iriam me machucar. Cansei de ser tão maternal e querer abraçar a dor de todo mundo. Eu preciso de amizades novas, amores novos, pensamentos novos, vida nova. Uma Jordana nova. Essa Jordana não me agrada e não agrada à ninguém. Eu poderia listar todos os meus problemas, desde os mais pessoais até os mais banais. Mas para quê? Não adiantaria de nada. Não iria me ajudar a resolvê-los. Essa vida falsa está me dando nos nervos. Esse computador tem me irritado -mais uma vez- mais do que do que qualquer coisa. Não aguento nem passar perto. Pela primeira vez na vida eu estou quase me ajoelhando e implorando pelo começo das aulas, implorando por provas, trabalhos e deveres. Implorando por compromissos! Eu estou implorando por qualquer coisa que me deixe tão ocupada que eu acabe esquecendo até o meu próprio nome. Prefiro viver ocupada do que viver assim. Ficar dentro desta casa está me fazendo tão mal que eu já consegui quebrar dois vasos de vidro e um osso da minha mão, mas ninguém sabe ainda. Não temos dinheiro para marcar consulta, comprar remédio e todos esses cuidados. A situação está mais tensa do que nunca. Fingir que está tudo bem não tem me adiantado em nada. Esconder a dor e a preocupação atrás de risadas e sorrisos tem me doído mais do que cravar uma faca no peito. Chorar e sofrer também não adianta. Eu sei que se alguém ler essa porcaria vai vir dando lição de moral e dizendo que existem pessoas em situações bem piores. Mas eu não ligo. Essas pessoas tem os problemas delas e eu tenho os meus. Eu só quero pegar a minha mochila de acampamento e ir para bem longe, ficar pensando na vida e refletindo sobre as minhas metas. Eu estou enlouquecendo, será que ninguém consegue ver isso?

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